Leis que regem o controle da Água nos Estados Unidos.
O abastecimento de água em termos de quantidade e qualidade é uma
preocupação crescente da humanidade, devido à escassez da água e à deterioração
de sua qualidade. Segundo a Declaração Universal dos Direitos da Água, o
direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano. Assim a gestão da
qualidade da água e os padrões de potabilidade são problemas que vêm sendo discutidos em diversos
países, cada qual apresentando uma abordagem distinta sobre o tema.
Nos Estados Unidos esse controle é bastante elucidativo em termos da
definição de padrões de qualidade da água e padrões de lançamento de efluentes
baseados em tecnologias de controle de lançamento e nas tipologias industriais
lançadoras.
A Lei maior que rege a gestão de recursos hídricos nos Estados Unidos da
América (EUA) é a Lei Federal de Controle de Poluição da Água (Federal Water
Pollution Control Act ou “Clean Water Act - CWA)”. Esta Lei foi regulamentada
pelo Código do Regulamento Federal, Título 40 (Code for Federal Regulation –
CFR, Title 40). O CWA foi promulgado em 1948, tendo sofrido sua primeira
revisão em 1972, onde foram estabelecidos seus objetivos, metas e estrutura que
continuam em vigor até hoje. Em 1987 foram incluídas emendas de grande
importância à preservação dos corpos hídricos, como a emenda relativa aos
efluentes tóxicos e a relativa ao lançamento de efluentes provenientes de
fontes difusas (Copeland, 2006). Antes da revisão de 1987, o CWA abordava
apenas o controle de fontes pontuais, porém o EPA e os estados viram a
necessidade de um maior controle sobre as fontes difusas, responsáveis por 60%
da poluição dos corpos hídricos.
Os WQS são constituídos por 3 elementos: o uso(s) designado para o corpo
hídrico, o(s) critério(s) de qualidade da água necessário a proteger o(s) uso
(s) e a política de antidegradação. A definição do(s) uso(s) para os corpos
hídricos é de competência estadual, levando em consideração a demanda e o valor
da água para garantir o abastecimento público, a propagação de peixes e fauna
selvagem, os fins recreacionais, a agricultura, a indústria e a navegação. O(s)
critério(s) de qualidade da água devem ser adotados pelos estados em
conformidade com os critérios estabelecidos pelo EPA. O EPA estabeleceu
critérios numéricos e qualitativos para mais de 115 poluentes incluindo 65
classes ou categorias de substâncias químicas tóxicas. Finalmente, a política
de antidegradação tem por objetivo proteger o(s) uso(s) designado(s), impedindo
que o lançamento de efluentes reduza a qualidade da água em corpos hídricos que
a possuam em qualidade superior a necessária a atender os WQS. A política de
antidegradação pode ser resumida da seguinte frase: “Keep clean waters clean” .
As diretrizes e padrões para lançamento de efluentes nos corpos hídricos
são definidos pelo EPA para mais de 50 tipologias industriais, contendo os
padrões para lançamento por tipologia industrial . Estas diretrizes e padrões
são desenvolvidos com base no nível de redução de poluentes possível de ser
atingido por cada tipologia através do uso de tecnologias específicas de
controle de lançamento definidas pelo EPA, quais sejam: melhor tecnologia de convencional
de controle de poluentes (Best Control Technology, BCT), melhor tecnologia de
controle praticável e disponível (Best Practicable Technology – BPT) ou a
Melhor Tecnologia Disponível (Best Available Technology – BAT). Ao estabelecer
diretrizes para o lançamento de efluentes, o EPA considera dois fatores: o
desempenho das melhores tecnologias de controle de poluição ou práticas de
prevenção da poluição que estejam disponíveis para uma determinada tipologia
industrial e a viabilidade econômica desta tecnologia ser adotada pela
indústria em questão, considerando os custos e os benefícios necessários à
redução do lançamento de efluentes.
O TMDL, principal instrumento de controle da qualidade da água previsto
na CWA, é o cálculo da quantidade máxima diária de um determinado poluente que
pode ser lançada em um corpo hídrico por fontes pontuais e difusas para que o
corpo hídrico ainda continue a atender aos WQS. O CWA requer que os estados
identifiquem os corpos hídricos que não estejam atendendo aos WQS, ou seja, ao
seu uso designado. Para estes corpos hídricos o Estado deve definir a carga
total máxima diária de lançamento de cada um dos poluentes em um nível tal que
assegure que os WQS sejam atingidos e mantidos. Caso o Estado não determine o
TMDL, o EPA então, em substituição ao Estado o faz. Para Copeland , o TMDL é um
processo de planejamento implementado pelo EPA ou pelos estados, sendo também
forma de avaliar quantitativamente as fontes poluidoras e a redução necessária
do lançamento de efluentes de forma a restaurar a qualidade das águas.
Para atingir suas metas, o CWA parte do princípio que todo lançamento de
efluentes em um corpo hídrico é ilegal, a menos que seja autorizado através de
outorga, NPDES, principal instrumento de controle e fiscalização do CWA. O
NPDES é uma outorga exigida das fontes pontuais que lancem efluentes nos corpos
hídricos, na qual padrões e condições de lançamento por tipologia industrial
são definidos e tecnologias de controle de lançamento são sugeridas pelo EPA,.
Desta forma o NPDES estabelece o limite de lançamento para cada fonte pontual e
sugere qual tecnologia de controle de lançamento à fonte deve adotar para
atingir tal limite. Caso o corpo hídrico continue contaminado mesmo após a
instalação pelo poluidor da BCT, BPT ou da BAT, o estado deverá implementar
estratégias de controle. As fontes difusas não estão sujeitas ao NPDES. Até
março de 2008, quarenta e cinco estados americanos estavam capacitados a emitir
o NPDES, os demais estados e territórios estão sob responsabilidade do EPA.
Dentre instrumentos de controle da poluição dos corpos hídricos previstos
no CWA cabe destacar: o Total Maximun Daily Load (TMDL), o National Pollutant
Discharge Elimination System (NPDES) e o Assessment Total Maximum Daily Load
Tracking and Implementation System (ATTAINS)